Quando parece nao haver caminho

Todo o caminho tem um chão. Psicologicamente, todas as nossas crenças, a forma de pensarmos, a forma como sentimos, a forma como vemos (ou não vemos) o mundo à nossa volta e dentro de nós, tudo isto é o suporte interno dos passos que damos diariamente.

O que acreditamos e a forma como nos vemos, a nossa identidade conhecida, a nossa realidade pessoal, profissional e social constituem o chão interno do nosso caminhar. Parece estar tudo certo, aquilo que aprendemos, consciente ou inconscientemente, serve-nos de base à construção do nosso dia-a-dia. Sabemos, ou pensamos saber, quem somos, onde estamos e para onde queremos ir.

Conversamos com os nossos idênticos e o mundo nos parece de certa forma, aquela que pensamos ser a sua forma única, correcta; um mundo definido com limites determinados. Sempre assim foi, sempre assim será. Julgamos nós. Até pode ser verdade durante uns tempos.

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No entanto, por vezes o universo prega-nos partidas e todas as certezas começam a ruir, tal como o emprego, o casamento ou amizades de longa data.

Não sabemos mais quem somos, os amigos podem desaparecer ou nós afastarmo-nos deles, O emprego desapareceu e não há previsão para o próximo. Muitos currículos enviados sem resposta ou com resposta negativa. As contas diárias e mensais, antes em dia, começam a transformar-se em dívidas que parecem não ter fim. Reconhece-se? Eu também já passei por aqui.

Internamente surge tristeza ou revolta, depressão ou sentimento de irritabilidade e frustração. Não há visão de futuro que agora surge como um buraco negro, uma grande incógnita que engole todos os sonhos e desejos.

Pode até nem haver nenhuma das perdas já mencionadas, mas internamente caiem por terra todas as certezas. Quem sou eu? Onde estou? Para onde vou ou quero ir? Será que pretendo ir a algum lado? O que faz sentido na minha vida? Parece que já nada faz sentido e não sabemos porquê.

Nesta altura é crucial procurar algum amigo/a com quem falar, alguém compreensivo que saiba ouvir, muito mais escutar do que dar soluções. É nestes períodos que uma boa rede de amigos pode servir de suporte a um caminho que parece não ter chão, porque o mundo desabou aos nossos pés.

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Pode também ser importante procurar um profissional, psicoterapeuta ou outro. Muitas pessoas têm medo ou vergonha de procurar ajuda num psicoterapeuta porque pensa que esta terapia é "só para malucos", para pessoas com problemas graves. Ora estas pessoas com "problemas graves" necessitam de médico psiquiatra para além do psicoterapeuta. Este profissional pode ser médico, psicólogo ou ter outra formação de base, mas é alguém que está habilitado para escutar e ajudar a pessoa a encontrar-se no meio das suas dúvidas, frustrações e desilusões.

Seja quem fôr ou qual o profissional escolhido, há um ponto que é muito importante que é a pessoa se encontrar a si mesma e encontrar o seu próprio chão, sobretudo o interno, porque o verdadeiro caminho em direcção à felicidade faz-se com o suporte não só do chão físico, mas sobretudo de um chão psico-emocional, um chão interno que lhe restitua a segurança interior e a confiança.

Voltaremos a falar do tema, que é vasto, mas o importante é que neste período tenha o apoio de alguém que tenha passado por experiência semelhante (alguém que lhe possa emprestar o chão interno que adquiriu no seu processo pessoal), enquanto não voltar a encontrar a confiança em si própria/o e o seu chão interno, um novo chão e suporte que lhe permita percorrer um novo caminho.







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